Os pés saem lentamente do chão e já não se sente nada tocar o corpo, a pele em contato apenas com o vento quente.
Aos poucos os prédios, ruas e avenidas ficam pequenos junto aos problemas e preocupações, enquanto crescem o mar e a sensação de liberdade.
Suba e deixe o vento, cada vez mais frio, passar por entre os braços e dedos abertos bem devagar.
Olhe para cima, as nuvens estão próximas, tão concretas e imóveis, como moradias. Quem mora lá? Seres divinos? Anjos de Jah?
Atravesse a grossa camada branca despedindo-se da terra. A partir desse momento, tudo que se sabe, perde-se e dá espaço a novas descobertas.
Sinta o ar puro retirando todas as coisas ruins da alma. Sinta-se limpo.
Abra bem os olhos e veja toda a beleza e os detalhes do lugar. O astro rei e o azul infinito compõem uma linda pintura onde os pés não sentem o peso do corpo e dos pensamentos.
Seja livre, bóie, flutue, escorregue pelo arco-íris até encontrar a caixa de Pandora. Abra e descubra o que há lá dentro. Uma tinta escura que vagarosamente pinta o céu e diamantes que se espalham formando desenhos, enquanto a lua conta histórias. É a noite!
Os olhos atentos aos poucos pesam, até que o corpo, deitado na nuvem mais macia, descansa.
Durma e lentamente o corpo vai caindo e a vida real vai voltando.
O céu fica distante e inalcançável, mas a mente agora carrega apenas pensamentos positivos e a alma fica em paz. Está em casa.
"Sinta, respire, acredite e você estará flutuando no ar.
Tente, voe bem alto e você estará flutuando no ar."
Bella Rodrigues 16/02/11
Post dedicada á Thiago Silva
quinta-feira, 17 de março de 2011
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
À raça dos desassossegados Por Martha Medeiros
À raça dos desassossegados pertencemos todos, negros e brancos, ricos e pobres, jovens e velhos, desde que tenhamos como característica desta raça comum, a inquietação que nos torna insuportavelmente exigentes com a gente mesmo e a ambição de vencer não os jogos, mas o tempo, este adversário implacável.
Desassossegados do mundo correm atrás da felicidade possível, e uma vez alcançado seu quinhão, não sossegam: saem atrás da felicidade improvável, aquela que se promete constante, aquela que ninguém nunca viu, e por isso sua raridade.
Desassossegados amam com atropelo, cultivam fantasias irreais de amores sublimes, fartos e eternos, são sabidamente apressados, cheios de ânsias e desejos, amam muito mais do que necessitam e recebem menos amor do que planejavam.
Desassossegados pensam acordados e dormindo, pensam falando e escutando, pensam ao concordar e, quando discordam, pensam que pensam melhor, e pensam com clareza uns dias e com a mente turva em outros, e pensam tanto que pensam que descansam.
Desassossegados não podem mais ver o telejornal que choram, não podem sair mais às ruas que temem, não podem aceitar tanta gente crua habitando os topos das pirâmides e tanta gente cozida em filas, em madrugadas e no silêncio dos bueiros.
Desassossegados vestem-se de qualquer jeito, arrancam a pele dos dedos com os dentes, homens e mulheres soterrados, cavando uma abertura, tentando abrir uma janela emperrada, inventando uns desafios diferentes para sentir sua vida empurrada, desassossegados voltados pra frente.
Desassossegados desconfiam de si mesmos, se acusam e se defendem, contradizem-se, são fáceis e difíceis, acatam e desrespeitam as leis e seus próprios conceitos, tumultuados e irresistíveis seres que latejam.
Desassossegados têm insônia e são gentis, lhes incomodam as verdades imutáveis, riem quando bebem, não enjoam, mas ficam tontos com tanta idéia solta, com tamanha esquizofrenia, não se acomodam em rede, leito, lamentam a falta que faz uma paz inconsciente.
Desta raça somos todos, eu sou, só sossego quando me aceito.
Desassossegados do mundo correm atrás da felicidade possível, e uma vez alcançado seu quinhão, não sossegam: saem atrás da felicidade improvável, aquela que se promete constante, aquela que ninguém nunca viu, e por isso sua raridade.
Desassossegados amam com atropelo, cultivam fantasias irreais de amores sublimes, fartos e eternos, são sabidamente apressados, cheios de ânsias e desejos, amam muito mais do que necessitam e recebem menos amor do que planejavam.
Desassossegados pensam acordados e dormindo, pensam falando e escutando, pensam ao concordar e, quando discordam, pensam que pensam melhor, e pensam com clareza uns dias e com a mente turva em outros, e pensam tanto que pensam que descansam.
Desassossegados não podem mais ver o telejornal que choram, não podem sair mais às ruas que temem, não podem aceitar tanta gente crua habitando os topos das pirâmides e tanta gente cozida em filas, em madrugadas e no silêncio dos bueiros.
Desassossegados vestem-se de qualquer jeito, arrancam a pele dos dedos com os dentes, homens e mulheres soterrados, cavando uma abertura, tentando abrir uma janela emperrada, inventando uns desafios diferentes para sentir sua vida empurrada, desassossegados voltados pra frente.
Desassossegados desconfiam de si mesmos, se acusam e se defendem, contradizem-se, são fáceis e difíceis, acatam e desrespeitam as leis e seus próprios conceitos, tumultuados e irresistíveis seres que latejam.
Desassossegados têm insônia e são gentis, lhes incomodam as verdades imutáveis, riem quando bebem, não enjoam, mas ficam tontos com tanta idéia solta, com tamanha esquizofrenia, não se acomodam em rede, leito, lamentam a falta que faz uma paz inconsciente.
Desta raça somos todos, eu sou, só sossego quando me aceito.
Assinar:
Comentários (Atom)